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    sábado, 19 de maio de 2018

    Militares candidatos terão projeto unificado e Mourão como cabo eleitoral .

    19 de maio de 2018


     Mourão como cabo eleitoral

    General Antonio Mourão durante sua despedida do Exército em fevereiro de 2018 (Pedro Ladeira/FolhaPress)















     Do UOL, em São Paulo 
    Um grupo de militares organizados pelo general da reserva Antônio Hamilton
     Martins Mourão em torno do Clube Militar vai desenvolver diretrizes de 
    programas de governo e pautas no Legislativo de cerca de 70 militares 
    pré-candidatos às eleições de 2018 --entre eles, postulantes à Câmara e Senado,
     governos e assembleias estaduais. Mourão disse ao UOL que, se eleitos em 
    número suficiente, a ideia é formar uma bancada militar no Congresso.
     A articulação, com pré-candidatos em todos os estados, é inédita após a ditadura
     militar. O Clube Militar, que tem como sede um prédio na Cinelândia, na região 
    central do Rio de Janeiro, deve funcionar como um centro para essa articulação e
     divulgação das candidaturas. 
    O general, que integrou o Alto Comando do Exército e deu declarações polêmicas
     entre 2015 e 2017 (criticando o governo Dilma Rousseff e sugerindo uma intervenção
     militar no governo), avalia que chegou a hora de os militares retornarem ao poder pelas
     vias democráticas. "Agora não resta dúvida de que a sociedade está clamando por
     isso", afirmou. Filiado ao PRTB, ele diz que não se candidatará a cargo público,
     mas atuará como articulador e usará sua imagem para ajudar nas campanhas dos 
    colegas. Candidato único à presidência do Clube Militar, Mourão deve ser eleito por 
    aclamação no fim deste mês. Fundado em 1887, o clube é uma instituição privada
     que reúne militares da reserva e da ativa e tem funcionado como órgão representativo,
     pois eles não podem formar sindicatos. Seu passado é marcado por intenso 
    envolvimento político, como nas campanhas abolicionista e republicana, mas, 
    desde a ditadura militar, o clube vinha evitando a política (exceto ao se manifestar contra
     os resultados da Comissão da Verdade em 2014). 
    Os pré-candidatos, que pertencem a legendas cujo espectro político abrange da direita ao
     centro (PSL, PR, DEM, PSD, PROS, PSDC, PRP, PTB, PEN, PHS, NOVO,
     Patriotas, PRTB e PSDB), pretendem lançar mão de financiamento coletivo 
    na internet e das redes sociais para divulgação. Independentemente das siglas,
     a maioria deve apoiar o pré-candidato à Presidência pelo PSL Jair Bolsonaro que,
     segundo a última pesquisa, lidera a corrida eleitoral com 18,3% das intenções de 
    voto em um cenário sem o expresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso desde 
    abril na carceragem da PF em Curitiba. Os programas abordarão temas como o 
    combate à corrupção, integração da segurança pública e privatização de estatais. 
    Mourão diz ver com ressalvas programas sociais de renda, uma das principais políticas
     dos governos de Lula e Dilma Rousseff.
    O movimento acontece em um momento em que as Forças Armadas estão em evidência
     na intervenção federal no Rio de Janeiro (chefiada por um general da ativa) e no
     socorro humanitário a imigrantes venezuelanos em Roraima. E ocorre após o
     comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, publicar mensagem no Twitter na 
    véspera do julgamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal) de habeas corpus que
     poderia evitar a prisão de Lula --para analistas, a mensagem teve influência na
     decisão. Também ocorre em cenário marcado pela divulgação dos chamados
     papéis da CIA, documentos da agência de inteligência americana que indicam o
     aval de expresidentes militares brasileiros, como Ernesto Geisel, para assassinatos
     de opositores do regime militar. O Exército afirmou, porém, que apesar dos postulantes
     terem origem militar, não possui qualquer ligação com as pré-candidaturas.
     O Centro de Comunicação Social do Exército afirmou ao UOL que "o Exército Brasileiro
     é uma Instituição de Estado, politicamente neutra e apartidária". "O posicionamento da 
    Força baseia-se sempre nos interesses nacionais e o seu emprego é imparcial, com
     foco nas missões constitucionais", disse, por meio de nota. Pedro Ladeira/Folhapress 
    General Antonio Mourão durante sua despedida do Exército em fevereiro de 2018 
    Movimento militar e eleições Nas eleições de 2010, alguns oficiais do Exército, 
    da ativa, reserva e simpatizantes, tentaram articular um movimento para participar 
    democraticamente do pleito à Presidência. "Naquele momento surgiu a figura 
    do general [Augusto] Heleno [Ribeiro Pereira], pela inteligência, pela capacidade de
     diálogo, pela argumentação, pela liderança inconteste que ele tem até hoje", disse Mourão.
     Heleno foi o primeiro comandante brasileiro da missão de paz da ONU no Haiti e se
     envolveu em polêmicas ao contestar ações do governo Lula . Os organizadores do
     movimento chegaram a dizer que ele tinha mais de 5 milhões de potenciais eleitores.
     Mas o general, que era da ativa, afirmou na ocasião que não seria digno se aproveitar
     do poder e prestígio que tinha no Exército para se lançar em uma candidatura. 
    Ele nunca se candidatou a nenhum cargo. Um partido militar chegou a ser formado, 
    mas não avançou. Nas eleições de 2010, quase não houve candidatos militares
     significativos e, em 2014, o desempenho deles foi modesto. Mas, segundo Mourão, 
    a deterioração do cenário político com os escândalos de corrupção e o fortalecimento
     da candidatura de Bolsonaro criaram em 2018 um ambiente mais favorável para os militares.
    Contudo, um oficial mais cético, que pediu para não ter o nome revelado, vê certo exagero
     na animação dos colegas. Segundo ele, alguns pensam que apenas os seus nomes 
    ligados às Forças Armadas serão suficientes para elegê-los. "Não vai ser tão fácil assim. 
    As campanhas são complexas e nós não temos proximidade com a política. Somos
     cartesianos e algumas coisas não vamos querer fazer", disse o militar. Plataforma
     e valores comuns Mourão observa que, apesar da singularidade de cada estado brasileiro,
     as plataformas a serem elaboradas terão linhas de ação em comum. "Nós temos 
    condições de organizar a plataforma que irá orientar os nossos diferentes candidatos
     em todos os estados da federação. Não resta dúvida que a gente sabe que cada caso
     é um caso, cada estado tem a sua problemática, mas as soluções passam na maioria
     das vezes pelas mesmas linhas de ação", disse Mourão. "Os nossos candidatos 
    estão aí em sua grande maioria em partidos ligados à direita e, na realidade, eu
     acho que o elo comum que nos une são todos aqueles valores que nós viemos praticando
     desde o momento que ingressamos na instituição militar", disse, em referência a valores
     como honra, integridade, patriotismo e sacrifício, bastante explorados pelo próprio Bolsonaro.
     Segundo Mourão, os pré-candidatos vão dar atenção a temas como o combate à corrupção,
     a alta carga tributária do país, a otimização dos gastos públicos e o combate à criminalidade
     em todo o país de forma organizada. O general Roberto Peternelli (PSL), que tem 
    organizado listas e feito os contatos no grupo, diz que há outras bandeiras comuns, como
     a defesa da propriedade privada e o estímulo da privatização de empresas estatais. 
    Mourão diz que programas sociais de renda e habitação são importantes, mas não 
    podem beneficiar eternamente quem os usa. "A partir de determinado momento, 
    aquela pessoa vai ser liberada dessa ajuda e vai caminhar com as suas próprias pernas.
     Infelizmente, a nossa população, parcela dela, tem aquela tendência de ficar aguardando
     que o coco caia na cabeça, não pode ser assim." Para tornar as candidaturas
     viáveis, os militares devem recorrer a campanhas de financiamento coletivo, 
    o crowdfunding. Para a divulgação, eles afirmaram que confiarão no potencial das
     redes sociais e do boca a boca. Mourão disse que vai reforçar a divulgação desses
     pré-candidatos usando as redes sociais, a revista e as reuniões do Clube Militar. 
    Bancada militar "Existe um termo usado na Brigada Paraquedista que diz que aves 
    da mesma plumagem voam juntas. Esse grupo militar que eventualmente for eleito 
    ]vai ser uma bancada, apesar de pertencer a diferentes partidos", disse Mourão. 
    Ele também não descartou que militares eleitos se aproximem simultaneamente a
     outras bancadas, como a ruralista. Em 2017, Mourão foi muito criticado por sugerir 
    a possibilidade de uma intervenção militar no governo. Ele disse que, se as instituições
     civis não solucionassem o problema político do país retirando da vida pública pessoas
     envolvidas com atos ilícitos, "nós [militares] teremos que impor uma solução".
    Ao ser perguntado pelo UOL se há alguma possibilidade de os militares voltarem ao
     poder por vias não democráticas, Mourão afirmou: "uma coisa tem que ficar muito 
    clara: se o país flertar com o caos, é dever constitucional das Forças Armadas garantir 
    os poderes e garantir a lei e a ordem". Como exemplo de caos, citou o que vê como
     "desrespeito à legislação vigente". "Nós temos um caso agora que poderia ter levado
     ao caos, vamos olhar aí essa questão do julgamento feito pelo STF do foro, a
     questão do foro, esse é um troço que deveria ter sido resolvido pelo Congresso e
     não pelo STF". Neste mês, o Supremo Tribunal Federal restringiu, mas não acabou
     completamente com o foro privilegiado de políticos. Mas, questionado como os militares
     poderiam voltar ao governo, Mourão respondeu: "vamos chegar pelas urnas".

    Veja a entrevista completa do General Mourão

    UOL/UNPP


    terça-feira, 15 de maio de 2018

    Congresso aprova a criação de 231 cargos para a intervenção federal no Rio e para o Ministério da Segurança

     231 cargos para a intervenção federal 

    no Rio e para o Ministério 

    da Segurança

    Contrapartida da criação de cargos é a extinção de vagas no 

    Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan);

     custo será de R$ 43 milhões entre 2018 e 2019.

     

    O Congresso Nacional aprovou o remanejamento de
     verba do Orçamento para a criação de 231 cargos
     para o gabinete do interventor federal no Rio de 
    Janeiro e para o Ministério Extraordinário de
     Segurança Pública. Dos cargos, todos comissionados,
     67 deles serão alocados no gabinete do interventor e,
     os demais, para o ministério.
    A decisão foi tomada na noite desta terça-feira (15),
     quando parlamentares das duas casas aprovaram
     a alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) 
    de 2018, que garante recursos para o pagamento 
    dos cargos. Entre os deputados federais, 208 votaram 
    a favor e 47 foram contra. Entre os senadores, a 
    votação foi simbólica e favorável ao tema.
    A contrapartida para a criação de cargos foi a 
    extinção de vagas no Instituto do Patrimônio
     Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
     O custo será de R$ 43 milhões entre 2018 e 2019.

    Alteração no Orçamento

    Apresentado pelo governo federal em abril, o Projeto
     de Lei do Congresso Nacional (PLN) 7/18 muda a
     Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2018. 
    Isso porque, segundo a lei, só podem ser criados
     cargos públicos caso eles já tenha sido incluídos
     no Projeto de Lei Orçamentária (PLO) de 2018, 
    que teve como prazo de envio ao Congresso até 
    31 de agosto do ano passado.
    Tanto a intervenção no Rio de Janeiro quanto a 
    criação do Ministério da Segurança ocorreram 
    depois desse prazo e por isso foi necessário obter
     a autorização dos parlamentares para 
    remanejamento das verbas.
    A aprovação ocorreu por meio de um substitutivo 
    ao PLN 7/18. A criação dos cargos propriamente 
    dita foi feita pela Medida Provisória 826/18. 
    Já a dotação orçamentária para o pagamento estava 
    prevista no PLN 6/18, também aprovado pelos 
    parlamentares, que mudou o Orçamento de 2018.
     O PLN 6/2018 retirou cargos e recursos do Instituto do 
    Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para
     suprir os recursos extras exigidos na criação dos
     231 cargos.

    Cargos para o ministério

    Os cargos comissionados que serão deslocados 
    para o Ministério da Segurança Pública serão
     "destinados preferencialmente para as atividades
    de direção e assessoramento", segundo a justificativa
     assinada pelo ministro do Planejamento, Esteves
     Pedro Colnago Junior.
    Segundo informações da Câmara dos Deputados,
     o custo da criação dos novos cargos superaria os
     R$ 40 milhões: do total, R$ 20,9 milhões devem 
    ser gastos em 2018, e os recursos usados em 
    2019 seriam de R$ 23,2 milhões.
    O Ministério do Planejamento afirmou, porém, que 
    a criação dos cargos não implica aumento de gastos,
     já que os recursos seriam retirados do limite financeiro 
    do Iphan, "uma vez que esse limite não será
     integralmente utilizado", segundo a justificativa 
    anexada ao PLN 6/2018.

    quinta-feira, 10 de maio de 2018

    Militar de 23 anos morre com tiro na cabeça em treinamento do Exército


    Militar morre com tiro em treinamento do Exército
    Incidente aconteceu em Formosa (GO). Victor Campos Ferreira era praça e tinha o sonho de seguir carreira na corporação


    Militar de 23 anos morre com tiro em treinamento

    Luiz Calcagno
    postado em 10/05/2018 13:06 / atualizado em 10/05/2018 15:53
    Victor Campos sonhava em seguir carreira como militar, mas morreu com um tiro na cabeça durante treinamento do Exército(foto: Reprodução)
    Um militar do Exército de 23 anos morreu com um tiro na cabeça durante um treinamento da Brigada de Operações Especiais em Formosa (GO). O incidente aconteceu por volta de 16h30 desta quarta-feira (9/5). Victor Campos Ferreira era praça e tinha o sonho de seguir carreira dentro da corporação. Uma aeronave da Força Aérea Brasileira fará o traslado do corpo da vítima para o Pará, onde ela será enterrada.

    Victor Campos fazia  treinamento no 6º Grupo de Instrução de Lançadores Múltiplos de Foguetes das Forças Armadas. A reportagem do Correio apurou que o tiro foi disparado por um sargento e atingiu a parte de trás e atravessou a cabeça de Victor. Ainda não se sabe se o disparo aconteceu durante o treinamento de tiro. Ele morreu na hora. A Polícia do Exército foi acionada e fez a perícia.

    O militar era primo do deputado federal João Campos (PRB). O parlamentar, que é delegado, disse que levará o caso ao presidente da república, Michel Temer. “O fato aconteceu. Partimos do pressuposto que foi acidental. Mas não posso conceber que, em pleno Século XXI, com a tecnologia que temos, as Forças Armadas façam um treinamento com munição letal. Temos todos os recursos para que essas atividades sejam feitas com o mesmo desempenho com munição não letal”, criticou.

    João Campos também questionou a forma com que a família foi tratada pelo exército. Foi após uma reclamação do parlamentar que o Exército disponibilizou um avião para levar o corpo de Victor para o Pará. "A segunda coisa que me incomodou é que, em países desenvolvidos, e não estou falando de quem está em guerra, quando um militar sofre um acidente, ele e a família tem todo um apoio da força. Ele colocou a vida a favor da pátria. Tem aeronave, ambulância, tudo. Mas fui descobrir que as Forças Armadas tem um contrato com uma seguradora, e essa empresa que cuida da funerária e da questão do translado do corpo", afirmou.
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    Ainda de acordo com João Campos, Victor é de Redenção do Pará, no sul do estado e não há voos comerciais para a região. "É um membro do exército brasileiro, e que perdeu a vida na função. É uma questão de estado", disse. Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Exército comentou o ocorrido. Segundo o texto, uma equipe médica prestou os primeiros socorros e transportou a vítima para o Hospital Municipal de Formosa, onde verificou-se que Victor estava morto. Além disso, a investigação ficará a cargo de uma equipe de perícia do Batalhão de Polícia do Exército de Brasília. "Um inquérito policial militar será instaurado para apurar o fato ocorrido", afirma o texto.

    Por último, a assessoria da corporação informou que o Comando de Operações Especiais "está tomando todas as providências para apoiar a família do militar, através de uma equipe, composta por um psicólogo e um capelão militar".



    Militares se unem para lançar 71 candidatos nas eleições 2018 .

    10 de maio de 2018

    Militares se unem para lançar 71 candidatos 

    Grupo pretende eleger deputados e governadores em 25 Estados e no DF
    Militares que são pré-candidatos ao Congresso e ao Executivo nas próximas eleições se reúnem em Brasília
    Foto: ANDRE DUSEK/ESTADÃO















    Tânia Monteiro
    BRASÍLIA - Motivados pelo desempenho do deputado e pré-candidato à Presidência 
    Jair Bolsonaro (PSL-RJ) nas pesquisas eleitorais, pelo menos 71 militares do
     Exército, da Marinha e da Aeronáutica lançaram pré-candidaturas a vagas no
     Congresso e no Executivo em 25 Estados e no Distrito Federal. Por enquanto,
     só o Acre não tem candidato nesse grupo. Parte deles se reuniu nesta terça-feira, 8,
     pela primeira vez, em Brasília para unificar o discurso.

    Militares pré-candidatos
    Os pré-candidatos usaram frases e slogans para afirmar que trabalham com princípios
     de “honestidade” e “defesa dos interesses do País” cultivados nos quartéis. Bem ao
     estilo militar, a reunião começou pontualmente no horário marcado, com pouco mais 
    de 30 participantes. A mesa foi composta apenas por generais, hierarquicamente 
    superiores aos demais nas Forças. Cada presente se apresentou e os discursos, 
    feitos sem interrupção, tinham como tema principal o combate à corrupção e o direito 
    de militares de se candidatarem a cargos eletivos.
    Mesmo ausente, Bolsonaro foi lembrado no evento, realizado em uma sala da 
    Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), na área central de Brasília.
     O presidenciável foi convidado, mas não compareceu – o que rendeu crítica de um 
    dos presentes, que preferiu não se identificar. Nesta quarta-feira, o grupo pretende ir
     ao Congresso para se encontrar com o deputado.
    O discurso mais contundente da reunião foi o do general de Exército da reserva, 
    Augusto Heleno, que não se coloca como candidato, mas está sendo pressionado
     por seus pares a entrar para a política. General Heleno primeiro rejeitou a tese
     de que se esteja tentando formar uma “bancada militar”, justificando que não pode
     existir divisão entre sociedade civil e militar, e disse que considera isso “um preconceito”
     e “uma invenção da esquerda”.
    O general disse ainda que Bolsonaro “não é o candidato dos seus sonhos”, mas que 
    “é o único com possibilidade de mudar o que está aí porque todos querem que se faça
     uma faxina no País”. Depois de recomendar que o momento não é de “olhar pelo 
    retrovisor e ficar elogiando o regime militar, mas de olhar para frente e buscar mudanças
     no País”, o general Heleno saiu em defesa do pré-candidato do PSL.
    O general de Exército da reserva Augusto Heleno
    O general de Exército da reserva Augusto Heleno, que não é pré-candidato, é pressionado para entrar na política
    Foto: ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO




















    “Exigem do Bolsonaro o que nunca exigiram dos outros candidatos. Querem que
     o Bolsonaro seja a mistura de Churchill, Margareth Thatcher, Ronald Reagan, o Papa
     Pio XII. Essa cobrança nunca foi feita antes aos outros”, disse o general. “Bolsoraro 
    tem defeito? Tem defeitos. Mas é o único que se apresenta hoje, pelo menos com a
     intenção e a possibilidade de mudar o que está aí. Daí essa grande reação ao nome
     dele, que está sendo até chamado de fascista, o que é um absurdo, porque quem não
     é de esquerda é tachado de fascista, o que ele não é, sem direito de defesa”, afirmou.
     Neste momento, foi aplaudido pelos colegas. Heleno disse ainda que, “ao contrário 
    do que alguns entendem, Bolsonaro não vai poder governar sozinho e vai ter de montar 
    uma equipe conjunta”.
    A mesa de discussão foi conduzida pelo general Girão Monteiro, pré-candidato a
     deputado federal pelo Rio Grande do Norte – que está atuando como organizador
     dos candidatos militares no País. Ele defendeu a tese que os militares “têm direito
     de votar e ser votado, como qualquer outro segmento da sociedade.” Segundo 
    ele, “temos de funcionar como agentes de mudança do País”. Para o general, os 
    militares, com esta mobilização, “estão dobrando a esquina e a dobrada é para o
     lado direito”.

    PARTIDO DE BOLSONARO ATRAI PRÉ-CANDIDATOS
    É da legenda de Bolsonaro, o PSL, que vem a maior parte dos pré-candidatos
     ligados às Forças Armadas – 60 deles são filiados a legenda. Dos 71 
    postulantes, entre militares da reserva e da ativa, há uma única mulher.
     A coronel da reserva do Exército Regina Moézia, de 54 anos, quer ser deputada 
    distrital em Brasília.
    Terceira geração de militares de sua família e integrante da primeira turma de 
    mulheres do Exército, coronel Regina diz estar acostumada a lidar com grupos 
    majoritariamente masculinos. Mãe de um aluno da Escola Preparatória para o Exército,
     a coronel Regina está apostando nas mídias sociais para se eleger. Este tem sido o 
    principal meio de comunicação dos candidatos militares – que veem na falta de recursos
     e na filiação a partidos pequenos e sem dinheiro um dos principais obstáculos para se
     elegerem.
    Além do PSL, outros militares vão lançar candidaturas opr 13 partidos – PSDB, 
    PSC, PR, PEN, PRP, PRTB, Novo, Patriotas, DEM, PHS, PROS, PTB e PSD. 
    Várias patentes têm representantes – desde candidatos generais até coronéis,
     sargentos e capitães.

    quarta-feira, 9 de maio de 2018

    General Mourão filia-se a partido político e pode ser vice de Bolsonaro

    9 de maio de 2018


    General Mourão pode ser vice de Bolsonaro

    Destaque do editor:
    Uma aliança entre os dois não está descartada, o que poderia levar a uma 
    situação inusitada: um general do Exército como candidato a vice na chapa de
     alguém de patente mais baixa.

    General Mourão filia-se ao PRTB e pode ser candidato a presidente pelo partido 
    A sigla tem como tradicional postulante à Presidência Levy Fidélix, conhecido
     por defesa de aerotrem
    O general Antonio Hamilton Martins Mourão, na cerimônia em que passou para a reserva do Exército
    28.fev.2018/Pedro Ladeira/Folhapress



















    SÃO PAULO - O general da reserva Antonio Hamilton Mourão filiou-se ao PRTB
     (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro) e pode ser candidato da legenda ao Palácio
     do Planalto. A sigla tem como tradicional postulante à Presidência da República 
    Levy Fidélix, que ficou conhecido nacionalmente pela defesa de um aerotrem como 
    principal bandeira. Recentemente, Fidélix tem tentado mudar um pouco sua imagem,
     chegando a produzir algumas peças de campanha em que é chamado de "bigodão".
     Mas ele já disse que poderá abrir mão da candidatura para dar espaço ao general. 
    "O Brasil só tem uma solução: general Mourão, presidente urgente!", afirmou Fidélix
     em uma rede social em setembro de 2017. Mourão filiou-se no início de abril ao partido, 
    poucos dias antes do prazo legal para a disputa da eleição deste ano, mas o fato só foi
     divulgado agora.
    Procurados, Fidélix e o general não se manifestaram sobre a eleição. A Folha 
    apurou junto a pessoas da direção do partido que a possibilidade de uma candidatura
     de Mourão está sendo considerada seriamente. Nesse caso, ele provavelmente dividirá 
    com Jair Bolsonaro (PSL) uma parte do eleitorado mais conservador, e que prioriza temas
     ligados à segurança pública. Bolsonaro, que é ex-capitão do Exército, tem boa relação 
    com Mourão. Uma aliança entre os dois não está descartada, o que poderia levar 
    a uma situação inusitada: um general do Exército como candidato a vice na chapa 
    de alguém de patente mais baixa.
    Uma eventual candidatura também enfrentaria dificuldades de ordem prática, como
     pouco tempo de TV, falta de dinheiro e inexistência de palanques competitivos nos
     estados. O PRTB elegeu apenas um deputado e deve ter no máximo 10 segundos 
    de tempo na propaganda eleitoral a partir de 31 de agosto. Atualmente, não conta com
     nenhum parlamentar no Congresso Nacional. Desde os protestos contra a ex-presidente 
    Dilma Rousseff (PT), em 2015, que levariam a seu impeachment, Mourão se tornou
     popular entre grupos de direita e extrema-direita —a ponto de bonecos infláveis
     gigantes dele terem sido produzidos e exibidos em manifestações. Antes de passar
     à reserva no início deste ano, o general Mourão envolveu-se em polêmicas dentro 
    do Exército.
    No ano passado, ele disse que os militares poderiam impor uma situação para a crise 
    política no país 
     FOLHA DE SÃO PAULO/UNPP

    terça-feira, 8 de maio de 2018

    “Não é mais o momento de se omitir”, diz ministro da Defesa sobre candidaturas militares


    07 de Maio, 2018 - 09:00 ( Brasília )

    Gen Ex Silva e Luna - 'não é mais o momento de se omitir'


    Gen Ex Silva e Luna - 'não é mais o momento de se omitir'



    Primeiro oficial no comando do Ministério da Defesa desde a criação da pasta, há quase duas décadas, o general-de-exército quatro estrelas Joaquim Silva e Luna relativiza o crescente protagonismo dos militares no atual momento político do Brasil, mas afirma que os oficiais da reserva que lançaram pré-candidaturas foram chamados para participar desse processo.

    "As pessoas que lançaram candidaturas na verdade foram buscadas, procuradas, estimuladas a participar", diz sobre a participação mais expressiva de militares nestas eleições. "Não é mais o momento de se omitir", avalia em entrevista exclusiva ao Valor.

    Silva e Luna cita o "elevado índice de credibilidade" das Forças Armadas e sua aceitação pela sociedade como razão para que a população comece a identificar nos militares os valores de que está carente.

    Ele justifica nesse contexto a polêmica postagem do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula, que foi a público nas redes sociais expor como se posicionava a força terrestre nesse assunto. "Estamos inseridos na sociedade, e precisamos estar, ninguém veio de outro planeta, e esse tema da impunidade está deixando nossa gente vulnerável, com receio de que o crime compense", afirma.

    Embora minimize qualquer protagonismo das Forças Armadas neste momento, os militares contam com dois representantes no primeiro escalão do governo Temer: o outro ministro é o general Sergio Etchegoyen, do Gabinete de Segurança Institucional, que integra o núcleo mais próximo do presidente.

    Silva e Luna foi empossado no comando da Defesa no fim de fevereiro, quando o então titular da pasta, Raul Jungmann, foi remanejado para o novo Ministério da Segurança Pública.

    Há quase três meses no cargo, ele não foi efetivado no posto na esteira dos dez novos ministros nomeados por Temer há um mês. Mas o general afirma que não se incomoda com a interinidade, embora não diga o mesmo sobre as Forças Armadas.

    "A mim não incomoda, até porque a interinidade diz respeito a um espaço temporal, eu diria que todos os ministros em tese são interinos, porque a qualquer momento podem ser substituídos", diz. Mas, complementa, "pode não soar bem para as três Forças Armadas, que talvez não fiquem confortáveis ao saber que o seu ministro não é um ministro, tem que ter um qualificativo de interino do lado dele".

    Do aval dos militares também depende a associação da Embraer à Boeing, uma transação sigilosa que segundo Silva e Luna, avançou nas últimas semanas em meio às negociações para garantir assento a um brasileiro no conselho de administração da terceira empresa a ser constituída, e os percentuais de 80% para a companhia americana e 20% para a fatia brasileira.
    "Os grupos de trabalho têm se reunido, há propostas mais diferenciadas, o que se busca logicamente é que tem que ser uma operação de ganha-ganha".

    Também cabe aos militares o comando da intervenção na segurança pública no Rio de Janeiro, delegada ao general interventor Walter Braga Netto, enquanto as tropas brasileiras executam decretos de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na capital fluminense e garantem ajuda humanitária aos refugiados venezuelanos em Roraima.

    O general que tem no currículo cursos de guerra na selva e de combate básico em Israel, que comandou uma brigada de infantaria na Amazônia e o batalhão de engenharia e construção em Roraima, tem uma percepção peculiar sobre o reconhecido desempenho das forças brasileiras em missões de paz das Nações Unidas no exterior.

    Recentemente, o general Elias Rodrigues Martins Filho foi nomeado para comandar a missão de paz na República Democrática do Congo. "É a mais complexa e mais difícil de todas", diz Luna. O Brasil passou 13 anos chefiando uma missão de paz no Haiti, e já enviou mais de 50 mil militares para o exterior.

    "É o jeito brasileiro de conduzir as coisas". Um jeito que ele associa à fórmula da empatia: "Nossa tendência é tentar sentir o que o outro está sentindo, ver a realidade do outro, se colocar no lugar do outro". Ele explica que no Haiti foi dessa forma, e até mesmo na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, quando a Força Expedicionária Brasileiras (FEB) juntou-se aos aliados para lutar contra o Eixo (Alemanha, Japão e Itália).

    Luna acabou de retornar de uma viagem à Itália, onde os pracinhas brasileiros foram homenageados. Lembra que os brasileiros são adorados na Itália, porque durante a guerra dividiam a comida e o abrigo do frio com a população do país.

    Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

    Valor: O governo tem dois generais no primeiro escalão, um general à frente da intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro, enquanto as tropas militares estão em campo na capital fluminense e Roraima. Um capitão do Exército está no topo das pesquisas para a sucessão presidencial. Há um crescente protagonismo das Forças Armadas no atual cenário político?

    Joaquim Silva e Luna: As Forças não buscam esse protagonismo. O militar tem duas características: disponibilidade permanente e dedicação exclusiva, então estamos sempre prontos para servir. Há um preparo permanente, ele faz curso a vida inteira, tem mobilidade nacional, vivência no exterior. As Forças estão presentes em diversas ações em todo o país, a maior parte das estradas, sobretudo na Amazônia, foram construídas pelos militares, a obra da transposição do rio São Francisco começou com os militares, as obras do aeroporto de Guarulhos estavam paralisadas, foram concluídas e entregues num prazo menor e valor abaixo do orçado. Não utilizar esse potencial seria um desperdício.

    Valor: Mas o que eles têm a oferecer de diferente em relação aos políticos tradicionais?

    Silva e Luna: O que a gente vê hoje é que a sociedade está se ressentindo de valores. Como as Forças Armadas têm um elevado índice de credibilidade e aceitação da sociedade, as pessoas começam a identificar no militar os seus valores, seu potencial de conhecimento, sua capacidade de ser utilizado em diferentes áreas.

    Valor: Mesmo não buscando esse protagonismo, é fato que mais militares estão se projetando na campanha eleitoral. Além de um dos líderes das pesquisas para a eleição presidencial, há pré-candidatos aos governos do Distrito Federal e do Ceará, além de vários postulantes a vagas no Congresso. O que motivou essas candidaturas?

    Silva e Luna: As pessoas que lançaram candidaturas, na verdade, foram buscadas, procuradas, estimuladas a participar, sabem o que têm a oferecer. O entendimento disso tudo é de que não era mais o momento de se omitir desse processo, se podem contribuir para o país. Mas o número de candidatos militares não chega a 0,1%, é um número pequeno para se falar em protagonismo.


    Ministro da Defesa nas comemorações dos 201 anos do Corpo de Fuzileiros.


    Valor: Gerou polêmica a postagem em rede social do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, na véspera do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula no Supremo Tribunal Federal. O senhor acha que as Forças Armadas têm que se posicionar politicamente com maior frequência?

    Silva e Luna: Não, não é o caso. Até entendo a fala do general Villas Bôas, e talvez por ter saído no momento do julgamento, passou essa percepção [polêmica]. Mas a ideia dele era mostrar que estamos inseridos na sociedade, e precisamos estar, ninguém veio de outro planeta. Esse tema da impunidade está deixando nossa gente vulnerável, com receio de que o crime compensa. A ideia foi chamar a atenção para isso, mas foi uma fala mais voltada para o público interno do que a intenção de tentar influenciar qualquer processo.

    Valor: O general Villas Bôas tem 243 mil seguidores em uma rede social. Ele é um exemplo de comunicador que deve inspirar as Forças Armadas?

    Silva e Luna: É que o mundo evoluiu, eu me comunicava com meu pai por cartas, depois por telefone. A tecnologia avançou, as pessoas se comunicam com o que se tem disponível, mas há escolhas. Meu celular é o mesmo há 12 anos, só atendo as pessoas que estão lá [registradas]. Valor: Mas o senhor usa aplicativos? Silva e Luna: Eu uso WhatsApp, porque virou instrumento de trabalho, é imediato, hoje eu me comunico com o companheiro que está na Coreia. Houve um incidente [com oficiais na República Centro-Africana] e ficamos sabendo na hora.

    Valor: Falando em protagonismo, sem o aval do Ministério da Defesa, a associação da Embraer com a Boeing não se concretiza. Havia uma expectativa de que o negócio fosse anunciado na semana passada. O que houve?

    Silva e Luna: Posso lhe afiançar que não houve nenhum recuo, tem reunião na semana que vem [nesta semana]. Tem havido propostas, entendimentos, e as partes têm um tempo para negociar. O que não é colocado [para o público], é porque há um acordo de confidencialidade. Mas há uma aproximação das partes e haverá um provável encontro.

    Valor: As conversas evoluíram? Como estão as negociações para a constituição da terceira empresa, da definição dos percentuais - 80% para a Boeing, 20% para a Embraer -, a garantia de um assento para um brasileiro no conselho de administração?

    Silva e Luna: Tem avanço, tudo isso está na pauta. O que se busca logicamente é que tem que ser uma operação ganha-ganha.

    Valor: O senhor é favorável a essa joint-venture?

    Silva e Luna:Eu vejo que ela é de total interesse do Brasil. Hoje o mundo tenta se globalizar e fazer fusões das grandes empresas, porque elas vão ganhar escala. Quando eu falei que vai dar casamento, é porque há um interesse favorável para o Brasil e para os Estados Unidos. Mas é preciso preservar o que precisa ser preservado.

    Valor: Projetos na área civil, como jatos executivos, podem continuar na antiga Embraer?

    Silva e Luna:Tudo isso está no pacote.

    Valor: Por que um general, Walter Braga Netto, foi chamado para comandar a intervenção na área de segurança pública do Rio de Janeiro, se o processo é civil?

    Silva e Luna:Eu vejo pelo princípio da razoabilidade. Havia uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em andamento, sob o comando do general Braga Netto, que é o comandante militar do Leste. Colocar um interventor que estivesse alheio a tudo isso, até ele se inteirar, íamos perder tempo. E o momento foi de clamor, no Carnaval houve uma série de incidentes, me lembro de uma senhora na televisão pedindo "socorro". Ficou no jargão popular que a intervenção é militar, mas é civil.

    Valor: Mas as tropas têm poder de polícia para atuar no combate ao crime na linha de frente?

    Silva e Luna: Sim, por causa da GLO. As tropas podem fazer tudo. Primeiro foi feita uma operação na Vila Kennedy, que permitiu a entrada das Forças e depois o desbloqueio [das barreiras colocadas pelos criminosos]. Na semana passada, houve operações em 11 morros.

    Valor: Que balanço o senhor faz desses 80 dias de intervenção?

    Silva e Luna: São duas ações em andamento, uma de reestruturação, a outra é emergencial. Já houve redução da criminalidade, mas a informação não está saindo, porque no ano passado, nos três primeiros meses, a polícia estava em greve e houve subnotificação das ocorrências. Aconteciam 20 crimes, anotavam três. Também houve um incremento da visibilidade da violência, com maior acompanhamento da mídia.

    Valor: Em que pontos houve redução da criminalidade?

    Silva e Luna:O número de mortes em enfrentamento policial foi reduzido. Houve um aumento do efetivo nas fronteiras do CentroOeste ao Sul, e também em Roraima, reduzindo a quantidade de drogas e armamentos que entram no Rio. Mas isso causa um sufocamento, e em compensação, aumentou o roubo de cargas e a disputa entre facções.

    Valor: Quando os resultados mais palpáveis vão aparecer?
    Silva e Luna: Esses resultados demoram mais, mas vão aparecer. O policial que estava desmotivado, que se voluntariava para trabalhar na folga, agora voltou a ser pago por esse trabalho, voltou a receber o 13º salário. Com isso ele retorna mais motivado. Além disso, começamos treinamentos, o policial que entrou para o quadro nunca mais tinha voltado aos estandes de tiros, agora está fazendo reciclagem, recebeu coletes de proteção.

    Valor: Pode haver novas intervenções na área de segurança de outros Estados?

    Silva e Luna: Não houve solicitação formal, mas alguns governadores manifestaram esse desejo. Sabemos que o arco fronteiriço do Nordeste é maior que o do Rio de Janeiro. Natal, no Rio Grande do Norte, está no topo da lista de violência, mas não aparece na mídia. Considerados os crimes per capita, Natal é mais violenta que o Rio.

    Esse tema da impunidade está deixando nossa gente vulnerável, com receio de que o crime compense" Nosso orçamento, a partir da emenda do teto de gastos, tem sido comprimido"

    Valor: Não é um paradoxo que num momento em que as tropas são chamadas para reforçar a segurança por meio das GLOs, o orçamento das Forças Armadas esteja comprometido?

    Silva e Luna:Nosso orçamento a partir da emenda do teto de gastos tem sido comprimido, na verdade, desde 2012 tem sido nominalmente reduzido. Fizemos uma reestruturação, trocamos efetivos permanentes pelos temporários, hoje há mais temporários. Isso interfere em vários projetos, como o submarino nuclear, o SisFron [monitoramento de fronteiras], o KC-390 [modelo de avião estratégico da FAB com a Embraer].

    Valor: Qual a consequência do encolhimento do orçamento da área de Defesa?

    Silva e Luna: Para este ano tínhamos solicitado R$ 6,5 bilhões para os projetos, ficou em R$ 4,5 bilhões. Já tivemos um contingenciamento, renegociamos até o limite do esgarçamento. Os projetos vão se arrastando, e há o risco de que o material adquirido fique obsoleto.

    Valor: Foi pela falta de orçamento que o Brasil não enviou as tropas para a missão das Nações Unidas na República Centro-Africana?

    Silva e Luna: Sim, mas como não havia previsão na lei orçamentária, foi uma negativa legítima.

    Valor: Mas o general brasileiro Elias Rodrigues Martins Filho vai assumir uma nova missão de paz, agora na República Democrática do Congo. Não serão enviadas tropas para essa missão?

    Silva e Luna:Essa é a mais complexa e mais difícil de todas as missões de paz que a ONU promoveu. Houve um chamamento [das tropas brasileiras]. Os soldados estão preparados [se forem enviados para a missão].

    Valor: Por que o Brasil se tornou referência nessas missões de paz da ONU?

    Silva e Luna:É o jeito brasileiro de conduzir as coisas. As relações humanas se dão em três níveis: simpatia, empatia e antipatia, e nossa tendência é se relacionar com as pessoas por empatia, tentar sentir o que o outro está sentindo, se colocar no lugar do outro.

    Valor: Esse "jeito brasileiro" ajudou a restabelecer a ordem em Roraima? Falou-se até mesmo em fechar a fronteira.

    Silva e Luna:Há desinformação, falam em 40 mil refugiados venezuelanos, mas na verdade há cerca de 5 mil lotados em dez abrigos que construímos, não tem quem esteja desabrigado.

    Valor: A situação de interinidade incomoda o senhor?

    Silva e Luna: A mim não incomoda porque a interinidade diz respeito a um espaço temporal. Eu diria que todos os ministros, em tese, são interinos, porque a qualquer momento podem ser substituídos. Mas pode não soar bem para as três Forças Armadas que integram a Defesa. Valor: Como assim? Silva e Luna:Talvez as Forças não fiquem confortáveis em saber que seu ministro não é um ministro, tem que ter um qualificativo de interino do lado dele.

    Valor: No próximo governo, um civil pode voltar ao comando da Defesa?

    Silva e Luna:Tem havido uma preocupação de muitos países de que sejam colocados técnicos que conheçam profundamente o assunto nos ministérios, mas que tenha um trânsito político. Mas se vier um civil, as Forças não vão se sentir afetadas.


     
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