Força Expedicionária Brasileira comemora 70 anos do "Batismo de Fogo" na II Guerra Mundial
Capitão Severino Francisco de Oliveira, veterano da FEB, é aplaudido em pé pelos militares durante solenidade que comemorou os 70 anos do Batismo de Fogo dos pracinhas na Itália.
Imagem: Tereza Sobreira (MD)


Homenagem

Entre as principais conquistas dos militares brasileiros estão a Batalha de Monte Castelo e a tomada de Montese


Há exatos 70 anos, no dia 16 de setembro de 1944, militares da Força Expedicionária Brasileira (FEB) dispararam o primeiro tiro de canhão nos campos da Itália, durante a II Guerra Mundial. O episódio, que ficou conhecido como “Batismo de Fogo”, foi lembrado na manhã desta terça-feira (16) em solenidade em Brasília (DF). O coronel Nestor da Silva, o capitão Severino Francisco de Oliveira e o tenente Vinícius Venus Gomes da Silva, “pracinhas” da FEB, foram as estrelas do evento.
Logo após as 10h, os três veteranos de guerra chegaram dentro de jipes ao pátio do Auditório Pedro Calmon, no Quartel-General do Exército. Na sequência, eles foram recebidos com honras militares e adentraram no local da cerimônia, onde a plateia os aguardava de pé. Lá, assistiram a vídeo histórico que resumiu a participação do Brasil na II Guerra, em especial a atuação dos cerca de 25 mil homens que integraram a FEB entre 1944 e 1945.
Aos 97 anos, o veterano coronel Nestor da Silva (no centro na foto acima) contou que ingressou no Exército em 1938. Na época do conflito internacional, era 2º sargento da Força Terrestre. O militar explicou que foi promovido em combate ao posto de tenente pelo seu chefe, o então general João Baptista Mascarenhas de Moraes – que comandou a tropa dos Expedicionários.
Quando regressou ao país, o eterno pracinha fez carreira como oficial e chegou até o cargo de coronel. Por ter ido à Itália na guerra, aposentou-se uma patente acima como general-de-brigada. “Na minha idade, eu vivo o hoje. Amanhã é outro dia. Tenho orgulho de ter pertencido à FEB e estar sendo homenageado”, asseverou.
COMANDANTE MILITAR do Planalto, general Racine Bezerra Lima Filho, avaliou a importância da homenagem. “São esses heróis que nós reverenciamos neste momento: brasileiros que deram tudo pelo país.” O comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, também prestigiou a solenidade.
O coral do Colégio Militar de Brasília (CMB) abrilhantou a comemoração ao entoar, junto com os presentes, o Hino Nacional e a Canção do Expedicionário, considerada hino da FEB. A música foi lançada em disco em outubro de 1944, na oportunidade em que três dos cinco escalões já estavam na Itália. Com letra do maestro Spartaco Rossi e poema de Guilherme de Almeida, tem em sua estrofe mais famosa os seguintes versos: Por mais terras que eu percorra / Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para lá.

Histórico da participação do Brasil
 A II Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945, foi o conflito mais sangrento de todos os tempos. Neste período, 70 milhões de pessoas morreram e foi usado pela primeira vez um artefato nuclear.
O Brasil declarou guerra aos países do Eixo (Alemanha, Japão e Itália) em 1942, depois que vários navios da Armada foram atacados. Somente naquele ano, 19 embarcações foram alvejadas pelos alemães.
Na época, o país possuía poucos oficiais da ativa para integrarem a missão. Sendo assim, foi preciso convocar reservistas para lutar. Muitos deles eram profissionais liberais, como advogados e médicos.
A fim de estar preparado para a entrada no conflito, o Brasil recebeu ajuda dos Estados Unidos e enviou alguns membros da tropa para fazer treinamento em território americano.
No dia 29 de junho de 1944, um trem trazendo os homens da FEB chegou à Vila Militar no Rio de Janeiro. A Força estava dividida em três regimentos de Infantaria – o 1º do Rio de Janeiro; o 6º de Caçapava, São Paulo; e o 11º de São João del-Rei, Minas Gerais. Apenas o 6º de Caçapava atravessaria a cidade do Rio, enquanto os demais seriam enviados a outros lugares. Era uma forma de manter em sigilo o embarque.
A operação foi feita à noite, em etapas, durante um dos blecautes realizados no Rio. Esses blecautes eram feitos com o objetivo de proteger a população de um improvável ataque aéreo alemão. Muitos pracinhas sequer tiveram tempo de se despedir de seus familiares e amigos e não sabiam para qual nação iriam.
O desembarque aconteceu em 16 de julho de 1944, na Itália. Os combatentes só entenderam que estavam no país europeu quando avistaram o Monte Vesúvio.

Conquistas
Entre as principais conquistas dos militares brasileiros estão a Batalha de Monte Castelo e a tomada de Montese. Nesta primeira, o coronel Nestor da Silva explicou que foram três ataques mal sucedidos e a vitória só veio na quarta investida em 21 de fevereiro de 1945. Já Montese aconteceu em 15 de abril do mesmo ano.
Ao longo da campanha da FEB, mais de 20 mil soldados do Eixo foram aprisionados pelos “febianos”.

Você sabia?
- Na época, muitos críticos duvidaram da capacidade brasileira em enviar homens para o fronte da batalha. Por conta disso, alguns diziam que era mais fácil uma cobra fumar do que isso acontecer. Até hoje o símbolo da Força Expedicionária é uma cobra fumando cachimbo.
- Os restos mortais dos brasileiros foram inicialmente enterrados na cidade italiana de Pistoia. Somente em 1960 é que foram transladados ao Brasil, onde permanecem no Monumento Nacional dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.
- A FEB foi a única tropa a pisar na Europa com militares de todas as raças: negros, índios, pardos e brancos.
- A Força Aérea Brasileira (FAB) esteve presente na II Guerra Mundial pelo 1º Grupo de Aviação de Caça comandado pelo tenente-coronel aviador Nero Moura. O grupo foi criado em 1943 e organizado e preparado nas bases americanas, no Canal do Panamá e nos Estados Unidos. Desembarcou em Nápoles no dia 6 de outubro de 1944. Na Itália, incorporou-se ao 350º Grupo de Caça americano pertencente a 62ª Brigada de Caça do XXII Comando Aerotático da Força Aérea do Mediterrâneo.