800 policiais militares da reserva se apresentam para reforçar segurança após ataques no Ceará
PM confirmou que 150 policiais começaram a atuar na
manhã desta sexta-feira. À tarde, criminosos incendiaram ônibus em Fortaleza.
Por João Pedro
Ribeiro e Valdir Almeida, G1 CE
18/01/2019
08h38 Atualizado há
2 horas
00:00/02:35
Militares da reserva têm até esta sexta-feira (18)
para se apresentar
A
Polícia Militar do Ceará confirmou que 800 militares da reserva se apresentaram
para reforçar a segurança do estado, que vive uma série
de ataques criminosos. O efetivo participou de uma reunião no
Ginásio Paulo Sarasate, no Centro de Fortaleza, e 150 agentes da segurança
pública iniciaram o trabalho nas ruas da capital nesta sexta-feira (18).
A
convocação dos policiais da reserva foi uma das medidas adotadas pela
Secretaria da Segurança Pública para tentar conter a onda de ações criminosas.
Desde o dia 2 de janeiro, foram
confirmados 210 ataquesem 46 dos 184 municípios cearenses. De
acordo com a secretaria, 383 pessoas foram capturadas por envolvimento nos
crimes.
Nesta
sexta-feira (18), 17º dia de ataques no estado, criminosos
incendiaram um ônibus no Bairro Quintino Cunha, periferia de
Fortaleza. Os criminosos ordenaram que funcionários e passageiros do veículo
descessem e atearam fogo; três homens foram presos, e duas mulheres estão
foragidas. Não houve feridos.
Sargento Carlos Lionel acredita que pode ajudar no
combate ao crime no retorno ao policiamento ostensivo — Foto: João Pedro
Ribeiro/TVM
O
retorno ao serviço foi o momento para reencontrar antigos colegas da corporação
e também fazer um balanço do aumento da violência. "Mudou muito, a
população cresceu e tudo é proporcional!", disse o sargento Carlos Wilson
Nascimento Lionel, 53 anos, que volta ao serviço após cerca de 5 anos na
reserva. Para ele, hoje as facções e o tráfico de drogas são maiores.
"Quando nós entramos [na PM], isso existia muito pouco", afirmou.
O
sargento, que passou 30 anos na Polícia Militar, pretende retornar ao
policiamento ostensivo para contribuir com a segurança da população. Apesar da
experiência, ele avalia que o físico pode ser uma das dificuldades nesse
retorno.
"O
que faz a gente pensar em voltar é a segurança do coletivo. Tudo que estou defendendo,
a minha família está incluída. Mas a vista já não é a mesma, o corpo já não é o
mesmo. Você pode até ter boa vontade, mas o seu corpo não permite. É como um
jogador de futebol com 21 anos e depois com 35. Tem a vontade, mas o corpo não
aceita", disse.
"Eu
tô pra aqui contribuir com a população cearense, como o governador, com o
comandante geral. E é como dizia o Romário: 'A gente pega os atalhos' e chega
até a eles [bandidos]", brincou o sargento./i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2019/N/s/zHvR3fQD6DijjmX5svyA/pm-retorno.jpg)
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Sargento Nilton Uchoa retorna ao policiamento
ostensivo após 4 anos na reserva — Foto: João Pedro Ribeiro/TVM
'Retorno necessário'
O
sargento Nilton Uchoa da Costa, de 59 anos, estava há 4 anos na reserva da PM.
Após trabalhar 32 anos na ativa, ele afirma que é um "retorno necessário
devido ao baixo efetivo". O policial acredita que, diante do cenário, é
necessário voltar e ajudar os "companheiros de farda".
Já
o 1º sargento da Polícia Militar Vilmar dos Navegantes Bastos diz que estava há
três anos na reserva, após passar 35 anos no policiamento ostensivo das ruas.
Ele encara o retorno como uma "oportunidade". "É bom reconhecer
os amigos novamente, estou gostando de voltar ao serviço".
Sargento Vilmar dos Navegantes Bastos diz que é um
"retorno necessário" diante do cenário de violência no estado. —
Foto: João Pedro Ribeiro/TVM
Apresentação obrigatória
O
governo convocou 1.201 policiais e bombeiros militares que estavam na reserva
para voltar às ruas. O prazo
estipulado para apresentação era até quarta-feira (16), mas foi prorrogado até
esta sexta. De acordo com o Relações Públicas da PM, coronel
Jano Marinho, a prorrogação ocorreu devido à dificuldade em entrar em contato
com todos agentes, principalmente com quem mora no interior do Ceará.
A
Polícia Militar informou que a apresentação é obrigatória para os policiais que
estão na reserva há no máximo cinco anos e que moram no Ceará. Aqueles que não
residem no estado não estão obrigados a se apresentar.
Menos da metade dos policiais da
reserva se apresentou no Ceará
GloboNews em Ponto
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Menos da metade dos policiais da reserva se
apresentou no Ceará
Quem
não se apresentar pode responder administrativamente por transgressão disciplinar.
E quem não puder mais trabalhar precisa apresentar um atestado médico e passar
por uma avaliação na PM.
A
convocação foi possível após a aprovação de uma lei na Assembleia Legislativa,
em sessão extraordinária neste sábado (12), durante o recesso parlamentar. Os
policiais da reserva que voltarem a trabalhar irão receber uma gratificação
extra, que pode chegar a R$ 900, de acordo com a patente.
Onda de violência no Ceará
Alvos mais comuns na sequência de crimes no Ceará
Número
de ataques7777515145451818131311111010VeículosPrédios públicosÔnibus e
vansVeículos escolaresPontes, viadutos e t…Câmeras de seguran…Agências
bancárias020406080100
Ônibus e vans
Alvo do ataque 45
Alvo do ataque 45
Fonte:
Levantamento G1
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