Rejeição e estrutura fraca do partido afastam aliados de Bolsonaro

O pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro. 04/07/2018 – Daniel Marenco /
Agência O Globo
Pré-candidato do PSL sofreu novo revés com a negativa do
PRP de indicar o vice
MARCO GRILLO
RIO — A relutância dos partidos em formalizarem alianças com
o pré-candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, pode ser
explicada, em parte, pela falta de estrutura do PSL e também
na rejeição do candidato, que é elevada — 32%, de acordo
com a pesquisa Datafolha mais recente. Na terça-feira, após o
fracasso da negociação com o PR, a campanha do deputado
sofreu novo revés, com a negativa do Partido Republicano
Progressista (PRP) para a indicação do nome do general Augusto
Heleno ao posto de candidato à vice.
— Acho que a candidatura do Bolsonaro é de alto risco para os
partidos se engajarem. É uma candidatura sem estrutura, sem
recursos, baseada na persona dele e nos mecanismos alternativos
de conexão direta com os eleitores, via redes sociais.
É um candidato com altíssima rejeição e o preferido para qualquer
outro candidato ter como adversário no segundo turno. Os partidos
que fazem esse cálculo não tem muito interesse em estarem
próximos ao Bolsonaro, porque podem estar assinando a sentença
de morte — avalia o cientista política Carlos Pereira, da FGV/Ebape.
Já o cientista político Ricardo Ismael, professor da Puc-Rio, destaca
a “incerteza geral” no cenário eleitoral, o que faz com os partidos
adiem as decisões, e aponta que a estratégia de Bolsonaro de
privilegiar, neste momento, o contato direto com eleitores, em
detrimento das conversas com as cúpulas partidárias pode ser
“arriscada”:
— A população brasileira, embora esteja desencantada com
partidos, com a política tradicional, também não está mobilizada
nas ruas em torno de um candidato, pelo menos não até agora.
Não há mobilização tão forte nas ruas e nas redes a ponto de
dispensar deputados e senadores que vão fazer campanha e
são profissionais na hora de pedir voto. A mobilização fora da
estrutura partidária vai ter um peso, mas também não será
uma revolução a ponto de imaginar que a sociedade vai ignorar
a propaganda eleitoral.
Na última semana, Heleno passou a ser tratado como a principal
aposta de Bolsonaro, após o naufrágio da articulação para que
o senador Magno Malta (PR-ES) integrasse a chapa.
Da mesma forma que os acordos estaduais impediram o avanço
das negociações com o partido de Valdemar Costa Neto, as
pretensões do nanico PRP nos estados também comprometeram
as ambições do ex-capitão do Exército. Coligada ao governador
petista da Bahia, Rui Costa, por exemplo, a sigla não quer pôr
em risco alianças que já foram costuradas.
Com o naufrágio aparente de suas duas principais apostas, o
pré-candidato corre em busca de uma alternativa. Uma delas é
a advogada Janaína Paschoal, filiada ao mesmo PSL de Bolsonaro.
O nome dela vinha sendo cotado para a disputado do governo de
São Paulo, embora pessoas ligadas ao partido no estado acreditem
que a advogada prefira concorrer à vaga de deputada.
Bolsonaro afirmou que existe “uma frestinha” para um acordo,
que poderia envolver alianças para os cargos proporcionais
(deputado federal e estadual) em alguns estados.
— Ainda ficou uma frestinha e talvez esse acordo feche amanhã
(hoje)— disse Bolsonaro, que lidera todas as pesquisas sem a
presença do ex-presidente Lula.
Para tentar reabrir as negociações, o pré-candidato flexibilizou
os termos da aliança e, agora, diz aceitar um acordo para a
disputa proporcional, mas isso ainda vai depender dos presidentes
das legendas em cada estado.
— Vai depender das perspectivas estaduais. Aqui no Rio, por
exemplo, é meu filho (deputado Flávio Bolsonaro), que é presidente
do partido, que vai decidir. Acho que não terá acordo aqui.
A ideia é que em alguns lugares tenha aliança — explicou
o pré-candidato.
No Rio, a notícia de uma possível negociação com o PSL provocou
surpresa no pré-candidato do PRP ao governo do estado, Anthony
Garotinho.
— No meu caso, seria complicado. Não tenho nada pessoal contra
o Bolsonaro, mas nossas ideias são muito diferentes.
O GLOBO/montedo.com
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