GENERAL HELENO COTADO PARA VICE-PRESIDENTE .


Cotado para vice de Bolsonaro, general diz: "pronto para cumprir a missão"


General Augusto Heleno Pereira (à esq) em cerimônia no Exército



"Não almejo nem pleiteio nada, mas estou pronto para cumprir a missão". Essa foi aresposta do general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira (PRP) ao ser questionado pelo UOL se cogitava ser vice na chapa do pré-candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). Ele disse, porém, que o nome do vice de Bolsonaro ainda não foi definido.Presidente do diretório paulista do PSL, o deputado federal Major Olímpio a firmouao UOL que o presidenciável disse nesta terça-feira (17) que "possivelmente"anunciará amanhã o nome do militar como seu vice. Ainda segundo Olímpio, osenador e pastor evangélico Magno Malta (PR) não aceitou o convite de Bolsonaro para integrar a chapa com ele."Conheço muito pouco a política, não sou político. Não entraria como um candidato,mas posso apoiar [a candidatura de Bolsonaro]", afirmou Heleno.Ele disse ainda que vem se reunindo ao menos semanalmente com Bolsonaro. OPSL agendou sua convenção nacional para o próximo domingo (22), no Rio de Janeiro. Heleno disse que, a princípio, não pretende comparecer --já que a questão do vice ainda não foi definida.O general afirmou também que o fato de estar vinculado a outro partido não seria um impedimento para que apoie Bolsonaro.Mesmo na reserva, Heleno é considerado uma das maiores lideranças da história recente do Exército. Seu nome, que já era destaque dentro dos quartéis, saiu da caserna e chegou ao público em geral em 2004, quando ele assumiu o cargo de Comandante das Forças de Paz da ONU no Haiti.Heleno lutou contra ex- militares rebeldes e gangues de criminosos no Haiti por cerca de um ano e meio. Na ocasião, segundo vazamentos do WikiLeaks, se opôs à pressão diplomática americana que queria exercer influência sobre a condução da missão de paz e a maneira como as operações militares eram realizadas.De volta ao Brasil, fez parte do Alto Comando do Exército e, em 2008, ocupou oposto de Comandante Militar da Amazônia – quando entrou em choque direto com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a demarcação em área contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol. Heleno disse, na ocasião,acreditar que o projeto, da forma como era tocado, poderia colocar uma parte das fronteiras do Brasil em risco.No início dos anos 2010, setores da ativa e da reserva das Forças Armadas cogitaram lançar Heleno como candidato a presidente, mas o projeto não avançou.Heleno sempre recusou a possibilidade de protagonizar uma candidatura.O UOL apurou que, no início de 2018, ele ainda descartava a possibilidade de se candidatar, mas foi cada vez mais alvo de investidas de Bolsonaro. O contato entre ambos vem se intensificando.PSL e PR não fecharam acordo . O PSL vinha negociando uma possível aliança com o PR de Malta e do ex-presidente da sigla Valdemar Costa Neto, condenado no escândalo do mensalão . O eventual acordo poderia aumentar o tempo de campanha na TV de Bolsonaro de menos de 10 segundos para quase 50.De acordo com Major Olímpio, que acompanha o presidenciável em agenda de précampanhano interior de São Paulo nesta terça, o PR condicionou a aliança na eleição presidencial a coligações proporcionais [para deputados federais e estaduais], principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro."Não nos interessa fazer essa coligação. O PR, que já tem vários deputados, quer aumentar a bancada, e isso tira a possibilidade de eleger os nossos candidatos. Um comandante nunca pode abandonar o seu soldado ferido na estrada", declarou . Olímpio disse saber do "tamanho do comprometimento" que o impasse pode causar na campanha. "Se é um preço tão duro a pagar, nós não queremos. Vai fazer [a propaganda] com 8 segundos e seja o que Deus quiser."A interlocução com o PR foi feita pelo presidente em exercício do PSL, Gustavo Bebianno, e outros membros da Executiva Nacional. Procurada pela reportagem, a assessoria do Partido da República informou que não vai se manifestar sobre as negociações.Nos últimos meses, Bolsonaro vinha repetindo que Magno Malta era seu "vice dossonhos". Cumprindo o último ano do segundo mandato no Senado, o parlamentar sempre disse que era candidato à reeleição, mas deixava abertura para uma definição de última hora.No ato que marcou a entrada de Bolsonaro no PSL, em março, Malta disse, por exemplo, que o futuro estava "na mão de Deus" e que "muita água" ainda iria rolar,ao comentar a possibilidade de ser vice na chapa do deputado.A reportagem apurou que Malta já planejava, inclusive, apresentar sua mulher, a cantora gospel e ex-deputada federal Lauriete  Rodrigues Malta, como candidata do PR ao Senado pelo Espírito Santo, para transferir seus votos. A interlocutores, Malta relutava trocar uma eleição considerada garantida por uma empreitada de risco rumo ao Palácio do Planalto. O senador também manifestava dúvidas quanto à viabilidade política de Bolsonaro na relação com o Congresso e atuava para apresentar nomes alinhados à ideologia conservadora e religiosa que uniu os dois.O processo eleitoral entra a partir desta sexta-feira (20) em sua fase decisiva, com o início do período em que os partidos deverão realizar convenções partidárias para formalizar a escolha de seus candidatos.O prazo se encerra no dia 5 de agosto. As legendas terão até o dia 15 do mês que vem para registrar as candidaturas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

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