Comandante do Exército Brasileiro chama de 'lamentável' clamor por intervenção militar .
19 de março de 2016
Segundo o general, a situação política e social atual não se
relaciona com o clima instável que levou ao regime ditatorial militar na
década de 60 .
LUCAS JARDIM
Manaus (AM) - O Comandante do Exército Brasileiro, general
Eduardo Villas Bôas, chamou de lamentável o clamor por intervenção
militar que vem de parte dos manifestantes presentes nos atos
antigovernistas das últimas semanas.
O general comentou o assunto durante um simpósio jurídico realizado no
Comando Militar da Amazônia (CMA), em Manaus, na manhã desta sexta-feira
(18).
"Eu acho lamentável que, num país democrático como o Brasil, as pessoas
só encontrem nas Forças Armadas uma possibilidade de solução da crise,
mas isto não é extensivo nem generalizado e, felizmente, está diminuindo
bastante a demanda por intervenção militar", declarou o general.
A autoridade militar ponderou, no entanto, que esse pedido demonstra
certas necessidades do país. "[Ele indica] que as Forças Armadas são a
referência de valores éticos e morais e de padrão de eficiência [de] que
a sociedade se sente tão carente", disse Villas Bôas.
Sem paralelo
Segundo o comandante, a situação política e social atual não se
relaciona com o clima instável que levou ao regime ditatorial militar na
década de 60.
"Não há paralelo com 1964, primeiro porque hoje nós não temos o fator
ideológico. Naquela época, nós vivíamos a situação de Guerra Fria e a
sociedade brasileira cometeu o erro de permitir que a linha de fratura
da Guerra Fria [a] dividisse. Isso não existe mais. O segundo aspecto é
que hoje o Brasil tem instituições sólidas e amadurecidas, com
capacidade de encontrar os caminhos para a saída dessa crise", comentou
Villa Bôas.
Rotina inalterada
Villas Bôas destacou que a rotina dentro da instituição não se alterou.
"Os quarteis estão prosseguindo naturalmente nas suas atividades e o
Exército está profundamente empenhado em contribuir para a manutenção da
estabilidade", explicou.
Para ele, a atual crise é de natureza política, econômica e ética. "Os
três aspectos se interrelacionam e, em consequência, é uma crise para
ser solucionada dentro desses ambientes, principalmente o ambiente
político e jurídico", concluiu a autoridade militar.
Ministro rebate
O simpósio jurídico organizado pelo CMA também contou com a presença do
ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal
(STF).
Na ocasião, ele defendeu a instituição, que foi recentemente
descreditada pelo ex-presidente Lula em uma conversa telefônica com a
presidenta Dilma Rousseff, grampeada pela Polícia Federal (PF) e
divulgada nesta quarta-feira (16).
A Crítica/UNPP
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