Cabo que fuzilou carro na Maré afirmou que militares seriam atropelados ..
Cabo que fuzilou carro na Maré afirmou que
militares seriam atropelados ‘caso o veículo não
tivesse parado’.
Um dia depois de ter seu carro fuzilado e ser atingido por um tiro de fuzil no braço direito no Complexo da Maré, na Zona Norte, Adriano da Silva Bezerra, de 33 anos, foi preso e encaminhado ao Complexo de Gericinó, em Bangu. O vendedor de coco de 33 anos afirmou, em depoimento à Força de Pacificação, que não ouviu nenhuma ordem de parar e não viu nenhum militar no ponto em que o carro foi atingido, na madrugada de quinta-feira. Entretanto, foi acusado de desobediência e tentativa de homicídio pelos militares, que afirmaram que um soldado e um cabo “teriam sido atropelados, caso o veículo não tivesse parado”.
O cabo Diego Neitzke, que admite ter sido o responsável pelos quatro disparos que atingiram o carro, afirmou, no auto de prisão em flagrante a que o EXTRA teve acesso, que antes de ter atirado, militares “solicitaram que o veículo parasse” e “efetuaram tiros de borracha”. Para o advogado Daniel Accioly, acompanha o caso pela Comissão de Direitos Humanos da Alerj, a prisão de Adriano é inconstitucional:
— Ele foi preso por um crime que não cometeu, o suposto atropelamento — disse.
Vitor Santiago Borges, de 29 anos, que estava no carro e foi baleado no peito, segue internado em estado grave, segundo informou a direção do Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, na noite desta sexta-feira. Ao EXTRA, sua mãe, a costureira Irone Maria Santiago, de 50 anos, afirmou que ainda não conseguiu falar com a filha de 2 anos de Vitor sobre o estado de saúde do pai.
— Ela fala: “Vovó, cadê papai”. E eu finjo que não estou entendendo. Contar como? Como falar que o pai dela foi alvo desses militares, que atiraram nele sem razão? Você acha que ela vai entender? Meu filho está nesse hospital entre a vida e a morte e ninguém da Força de Pacificação veio procurar a família. E cadê o nosso governo? Meu filho não será mais um Amarildo. Eu quero justiça e não vou me calar — disse ela.
Justiça concede liberdade
A advogada Fernanda Neiva, que defende Adriano, afirmou na tarde desta sexta-feira que a Justiça Militar concedeu a liberdade de seu cliente. Ele, que foi baleado de raspão no braço esquerdo, seguiu para um presídio do Complexo de Gericinó na tarde desta sexta-feira.
— A decisão foi do juiz plantonista da Circunscrição Judiciária Militar do Rio, Claudio Amin. Não vamos conseguir que ele seja libertado hoje do Complexo de Gericinó, mas amanhã pela manhã o alvará de soltura chegará ao presídio — afirmou a advogada.
O EXTRA/UNPP
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